Professor nativo: faz mesmo tanta diferença?

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Há, no mercado brasileiro, uma verdadeira comoção por aulas de idiomas com professor nativo. Isso deve-se, em certa parte, por existirem profissionais que não são capacitados e que lecionam idiomas apenas como um extra, um hobby, sem dedicar-se à sua preparação e à das aulas com a responsabilidade devida. Mas deve-se também à mentalidade brasileira de que: tudo que vem de fora tem melhor qualidade. Mas será que faz diferença mesmo?

Um professor nativo pode sim, fazer a diferença. Mas há algumas ressalvas a serem feitas.
Tive professores nativos e não nativos. Sou professora de idiomas desde o ano 2000, boa parte desse tempo lecionando idiomas que não são minha língua materna. Já lecionei português para estrangeiros também. Já estive dos dois lados e tive ambas as experiências como aluna e posso dizer que as vantagens e desvantagens dependem de muitos fatores e não há uma resposta única que vá funcionar o tempo todo para todos. Como muitas coisas da vida, depende.

melhor professor

Mito: Todo professor nativo é melhor

O simples fato de uma pessoa ser nativa em um determinado idioma não significa que ela esteja apta para ensiná-lo. Você consegue imaginar seu vizinho, primo, amigo, aquele político ou jogador famoso dando aulas de português?
Mesmo que os encontros sejam somente de conversação (que é um dos momentos em que eu acho que um professor nativo pode trazer mais benefícios) ele precisa ter alguma noção de didática para saber formas corretas de corrigir os erros sem acabar com a  auto estima do aluno, entre outros. Outro ponto que acho importante, principalmente se o nível do aluno for básico/intermediário é que o professor nativo saiba falar pelo menos um idioma estrangeiro. Preferencialmente o que o aluno fala. Por que isso é importante? Porque somente assim ele vai ter noção do que você está passando. Aprender um novo idioma é um caminho cheio de obstáculos, curvas e pedras. Manter a motivação é essencial. Se o professor já passou por isso pelo menos uma vez, ele estará muito mais propenso a ter empatia com a sua situação e até mesmo poderá guiá-lo melhor.
Quando fui para a Alemanha depois de 1 ano frequentando um curso de alemão mas sem aprender muita coisa, meu professor lá era nativo e se recusava a usar outro idioma em sala de aula. Meu primeiro dia de aula foi uma experiência digamos assim, traumatizante. Eu entendia uns 20% do que ele (o professor) falava. Via os colegas respondendo aos comandos com facilidade e me fiz a pergunta inevitável: o que é que eu estou fazendo aqui? Nunca vou dar conta disso! Quem nunca teve essa sensação? Se você ainda não passou por isso é porque nunca esteve fora de sua zona de conforto, que é onde a grande mágica acontece. Mas quando você está há poucas semanas em um país ainda desconhecido, com pessoas desconhecidas, sem praticamente entender nada do que acontece ao seu redor a sensação pode ser paralisante. Por sorte haviam mais 2 pessoas que falavam português na minha turma (um português e um angolano). Eles entendiam bem melhor alemão que eu e puderam ser meus fiéis escudeiros nessa primeira fase. Na Inglaterra e na França a experiência já foi diferente, mesmo se por vezes ainda assustadora. Mas a gente aprende a minimizar isso conforme vai ganhando experiência. Tive ainda professores nativos na Alemanha, França e Inglaterra e não nativos no Brasil e na Alemanha também, alguns deles incríveis, outros não tanto. Mas o maior diferencial não era o idioma materno deles e sim a didática e metodologias usada que nem sempre combinavam com minhas necessidades ou meu estilo de aprender.
Um professor não nativo que tenha aprendido o idioma, que seja capacitado para tal, pode te dar muitas dicas, ligações, macetes que um professor nativo não daria pelo simples fato de ele nunca ter precisado passar por isso. Ele pode ter criado suas conexões e correlações quando aprendeu o português, por exemplo. Mas nem sempre essa visão reversa faz sentido para nós. Idiomas são altamente influenciados pela cultura de um povo e sua forma de ver o mundo. Isso também influencia a forma como cada um interpreta e vê certos pontos do idioma.
Um professor nativo pode fazer a diferença quando você quiser aperfeiçoar a pronúncia, perder o sotaque, ganhar uma maior proficiência do ‘idioma real’, focar em gírias, vocabulário específico. Mas mesmo nesses casos há uma série de professores não nativos que dão conta do recado com as mãos nas costas.

“Ao contrário do senso comum, o melhor professor de idiomas não é o nativo, mas aquele que fala também a mesma língua do aluno. A vantagem desse profissional está na capacidade de interpretar significados no idioma do próprio estudante.” David Graddol

Para ver a entrevista completa do linguista David Graddol sobre o aprendizado/ensino de língua inglesa basta clicar AQUI

 

Os tempos mudaram: bem-vindo ao futuro

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Foi-se o tempo em que ter contato com outros idiomas, fazer mesmo uma imersão só ocorria quando você viajava para um país estrangeiro. Hoje em dia a situação é bem diferente. Com a internet disponível nas mãos de todos que possuem um celular, as opções são infinitas. Vídeos no Youtube, artigos em blogs, Netflix, cursos on-line, redes sociais, sites para conversação e  troca de idiomas como iTalki, programas como Anki, Skype, Edmodo, dentre tantos outros tornam a vida de professores e alunos muito mais fácil. Hoje em dia, um professor que more no Brasil consegue manter seu grau de fluência com uma certa facilidade, opções para isso não faltam. Da mesma  forma, percebo que os objetivos e até mesmo necessidades dos alunos mudaram.
Cada vez mais os alunos têm acesso ao conteúdo em si, seja através de aplicativos como Duolingo, vídeos-aula no Youtube, cursos gratuitos, uso de flash cards com sistemas de repetição espaçada (SRS) como Aki entre tantos outros. Nesse caso, qual o papel do professor? Ele não é mais necessariamente a fonte de conteúdo. O professor tem, cada vez mais, papel de guia, de motivador, treinador. E nessa hora, há vários fatores que deveriam influenciar muito mais a  sua escolha do que o fato de o professor ser nativo ou não.
Primeriamente você deve saber exatamente o seu objetivo, o que espera das aulas, o que pretende aprender e mais ou menos quanto tempo possui para chegar lá. Seu objetivo é passar em uma prova estilo TOEFL ou IELTS? Procure por um professor especialista na prova. Se é adulto, dê preferência a professores acostumados a lecionar adultos. Se quer inglês para negócios, aulas de conversação a mesma coisa. Cada professor acaba desenvolvendo uma maior habilidade em certas áreas, ou ganhando experiência com alguns temas. Há, também, formatos de aulas que alguns de nós preferimos. Eu, por exemplo, me tornei grande fã das aulas estilo conversação e evito o uso de livros didáticos. Sou também extremamente visual, então acabo conseguindo ajudar melhor alunos que também conseguem assimilar melhor o mundo através da memória visual. Há professores que são fera em gramática, em preparatórios para TOEFL, em inglês para iniciantes, inglês mais avançado… Mas essa é a beleza de se ter tantas opções e de se saber exatamente o que se quer/espera. Você pode escolher um profissional que combine perfeitamente com seu perfil e necessidades.
Dê preferência para um professor que te inspire. Que esteja lá pra te dar força quando parecer que os estudos já não estão rendendo tanto. Que pegue no seu pé quando não estudar ou fizer as tarefas. Que às vezes acredite mais em você do que você mesmo. Que consiga falar a ‘sua língua’ (formal, informal, vocabulário técnico…). Que seja como um guia, ajudnado você a evitar algumas pedras, mas sem fazer o caminho por você. Olhe para o ‘pacote completo’ do professor antes de escolher um. Não somente para o país onde ele nasceu.
Ah sim, você ir com a cara do professor(a) e o santo bater também ajuda pra caramba. Nada pior do que passar horas na presença de alguém com quem você não vai com a cara. Ainda mais se você é grande fã do idioma que está aprendendo. As aulas têm que ser algo prazeroso para que você tenha o rendimento máximo. Se elas forem um martírio, chances são de que você vai demorar muito mais para chegar onde quer ou acabe mesmo desistindo no meio do caminho.
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