Aprendizagem de adultos e porque fazer você aprender como uma criança pode estar atrapalhando seu desempenho

A forma como ensinam adultos e crianças ainda é igual em muitas escolas e cursos. No entanto, a aprendizagem de adultos deve ocorrer de forma diferenciada, pois o adulto possui necessidades e expectativas bem diferentes das de uma criança. O adulto precisa entender o porquê de estar aprendendo algo. Qual utilidade esse novo conhecimento terá em sua vida. Entre outras coisas.

Aprendizagem de adultos X aprendizagem de crianças

aprendizagem de adultos

A teoria da aprendizagem de adultos chama-se Andragogia e foi desenvolvida por Malcolm Knowles. Adultos aprendem melhor quando suas necessidades e interesses, situações de vida, experiências, autoconceitos e diferenças individuais são levados em consideração. Crianças aceitam passivamente que uma série de conhecimentos lhe sejam passadas que só serão úteis, quem sabe, em vários anos. Adultos não se sentem à vontade com esse approach.

6 Princípios da Andragogia:

  1. Necessidade de saber: Adultos precisam saber por que necessitam aprender algo antes de começar a aprendê-lo.
  2. O autoconcenito do aprendiz: o adulto é responsável por sua própria vida e decisões. Por essa razão desenvolve a necessidade de ser visto e tratado pelos outros como tal.  Quando o estudante adulto percebe que o professor está impondo sua vontade, isso gera conflito.
  3. O papel das experiências: estudantes adultos chegam à sala de aula obviamente com muito mais experiências acumuladas do que uma criança. É necessário levar essas experiências em conta e também usá-las.
  4. Prontidão para aprender: para que um aluno adulto tenha prontidão para aprender. Quando a ocasião exige algum tipo de aprendizagem relacionado ao que deve ser executado, o adulto adquire prontidão para aprender. Essa prontidão pode ser induzida com exercícios de simulação.
  5. Orientação para aprendizagem: o adulto é centrado no contexto, no problema ao aprender.
  6. Motivação: o adulto precisa de motivações intrínsecas para continuar a aprender. Fatores motivacionais externos como melhores empregos, promoções, salários mais altos até funcionam. Mas não causam tanto impacto quanto as pressões internas como o desejo de ter maior satisfação no trabalho, autoestima, qualidade de vida.

Heutagogia – um passo além

aprendizagem de adultos - heutagogia

A andragogia já é um avanço em relação à pedagogia em se tratando de estudantes adultos. No entanto, ambas estão focadas no professor, em ensinar e não em aprender. É nesse momento que chegamos à fase 3.0 da educação. O aluno é o gestor e programador de seu próprio processo de aprendizagem. O papel do professor nesse caso é bem mais limitado. É o aluno quem toma as principais decisões e o professor vira uma espécie de treinador, coach.

Em muitos casos, uma abordagem misturando andragogia e heutagogia pode ser uma solução perfeita. Principalmente quando falamos da aprendizagem de idiomas. Adultos que decidem estudar uma língua estrangeira normalmente o fazem com um objetivo específico. Quando o aluno estuda em uma escola que utiliza metodologia única ou quando aprende com uma turma, a personalização é comprometida. Porém, quando a aula é particular ou o grupo possui o mesmo objetivo, a personalização da abordagem, da ordem dos conteúdos e dos materiais utlizados deve ocorrer. E o(s) aluno(s) deve(m) fazer parte do processo de escolha.

Então onde está o problema?

Ninguém gosta de ser obrigado ou forçado a fazer nada, na educação não é diferente. Não há razão para forçar você a aprender primeiro como fazer um pedido em um restaurante se o que você precisa agora é passar naquela entrevista de emprego em inglês. Quando obrigam você a seguir uma determinada ordem de conteúdos simplesmente porque é a ordem que aparece no livro, estão te ensinando como uma criança. Ter uma ordem de coisas para seguir e aprender não é ruim. Mas se essa ordem não acompanha suas necessidades pontuais e você deve segui-la mesmo assim, ali mora o problema. Livros e professores seguem uma ‘linha lógica’ para a ordem com que apresentam o conteúdo. O problema é quando essa linha não é lógica para o estudante.

Não tenha medo de questionar. Na dúvida, pergunte por que, qual a utilidade do conteúdo. Não tenha medo de conversar com seu professor e pedir para que conteúdos irrelevantes para você nesse momento sejam deixados para o futuro para que você possa focar no essencial. Ele pode nem sempre saber o que é essencial para agora para você. Seu professor não tem bola de cristal para adivinhar que você precisa treinar mais técnicas de apresentação essa semana pois semana que vem vai ter que apresentar um projeto no idioma estrangeiro para seu chefe. Comunicação é a chave. Se você escolheu bem seu curso/professor não há muitas coisas que uma boa conversa franca não resolva. Caso mesmo depois de muita conversa você continue sentindo-se forçado a aprender coisas que não são importantes talvez seja hora de testar algo novo. Quer dicas de como escolher um bom professor? Confira nosso artigo AQUI.

E como funcionam suas aulas? Seu curso/professor utiliza a teoria da aprendizagem de adultos? Você participa da escolha dos materiais que estuda? As aulas motivam você? Compartilhe sua experiência 😉

Fontes:
http://www.neas.org.au/wp-content/uploads/1.c.-NIKKI-BLAKE.pdf
Education 3.0 and the Pedagogy (Andragogy, Heutagogy) of Mobile Learning
http://www.direitodeaprender.com.pt/artigos/sete-principios-de-aprendizagem-de-adultos