3 mitos sobre aprendizagem e como evitar esses erros

Como já foi dicutido antes, ninguém nos ensina a aprender. Escolas e professores tratam o tema como como se isso fosse algo natural como respirar, quando na verdade não é. Por esse motivo, acabamos criando e acreditando em  uma série de mitos sobre aprendizagem que acabam atrapalhando nossos estudos. Muitos desses mitos provavelmente surgiram pela repetição. Era assim que muitas pessoas estudavam com certo sucesso e então passamos a acreditar que essa era a forma correta sem nem mesmo questionar se havia uma forma mais efetiva. Felizmente alguns estudos, principalmente na área da neurociência, têm sido desenvolvidos e aos poucos estão desvendado muitos desses mitos baseados no achômetro.

3 mitos sobre aprendizagem mais comuns

#Mito1: Tenha um ritual fixo de aprendizagem (estude sempre no mesmo lugar, do mesmo jeito) 

Esse é, sem sombra de dúvidas, um dos mitos mais comuns. Crie uma rotina de estudos. Encontre um lugar tranquilo e sossegado, sem barulho e estude sempre lá. Quem nunca ouviu essa dica? Pior ainda, quem nunca colocou ela em prática? O problema com essa abordagem é que ela não favorece o armazenamento e recuperação do conteúdo aprendido. Nosso cérebro funciona como um computador, com pastas, subpastas e arquivos. Quando você estuda sempre no mesmo ambiente, com os mesmos materiais é como se você fosse sempre gravando as atualizações sobre o ‘documento original’. Quando você precisar da informação e seu cérebro for buscar por ela, só encontrará um arquivo.

Quando você estuda em ambientes diferentes, com o conteúdo em formatos diferentes você cria várias cópias/novos arquivos que serão armazenados muitas vezes em diversas pastas e subpastas. Quando você precisar achar uma determinada informação, diversos arquivos estarão disponíveis. Então, diversifique, seja criativo(a)! Aproveite pra ouvir aquele áudio ou podcast no caminho pro trabalho, academia, durante a caminhada. Assista a vídeos diferentes, leia um texto, estude na sala, no quarto, na biblioteca… Teste colocar uma música de fundo, ter pessoas ao redor conversando. Todos esses elementos podem depois ajudar você e funcionar como gatilhos na hora em que você precisar recuperar a informação armazenada.

Outro ponto importante é que temos melhores resultados em testes quando o ambiente em que estudamos e o ambiente onde somos testados é igual. E como você é testado quando estuda um idioma? Claro, seu curso pode realizar testes para avaliar se você está acompanhando. Mas o verdadeiro teste é quando tentamos colocar o idioma em prática. E isso geralmente acontece no escritório, na rua, com pessoas ao seu redor, barulhos externos. Claro, para algumas fases do estudo você precisa se concentrar, como veremos no mito 3, mas tente mudar, nem que seja a parede que você enxerga enquanto estuda. Tente também ter alguns elementos presentes que possam atuar como gatilhos durante o processo de recordar. Cientistas ainda não chegaram a um acordo de porque exatamente as mudanças no ambiente são positivas ou mesmo que mudanças causam mais impacto. Na dúvida, teste e inove!

 

#Mito 2: Repita, repita, repita (para aprender ou reter uma informação, repita uma mesma atividade diversas vezes durante um bloco de estudos) 

Repetir e, principalmente, revisar são importantes sim. Mas há necessidade de existir espaçamento entre as revisões, além de atividades diferentes. Você pode ler o mesmo texto 10 vezes em 2 horas. A não ser que você tenha memória fotográfica, você desperdiçou tempo e não vai lembrar do texto daqui 2 dias. Mas também, se você tivesse memória fotográfica uma lida só bastaria. né! Estudos mostram que o cérebro cria conexões de forma mais eficiente quando é apresentado a um mix de atividades relacionadas do que quando a mesma atividade é vista repetidamente.

Aprender um idioma é um conhecimento que você precisa pra vida, não somente para a prova de amanhã. Portanto, revisar com espaçamento é vital para que o connteúdo fique armazenado na memória de longo prazo. Aplicativos como Anki e Quizzlet ajudam nesse quesito. Para adquirir fluência é necessário mais tempo do que o necessário para armazenar as informações. Lembre-se que quando aprendemos há 2 processos envolvidos. Um deles é guardar as informações. Conseguir encontrar e usar essas informações quando necessário é uma história completamente diferente.

O outro ponto importante é variar a forma como revisamos o conteúdo. Se na primeira vez você leu um texto que tal agora ouvir o áudio dele enquanto limpa a casa? Ou criar perguntas cujas respostas estejam no texto? Um ponto importante para favorecer a memória é testar seu cérebro de alguma forma. Se você está estudando vocabulário que tal usar flashcards? Ou criar frases usando o vocabulário novo? Resolver um quizz? Aqui as vantagens da mudança de ambiente e formatos de conteúdo vistos acima também são sentidas.

#Mito 3: Mantenha o foco, não se distraia 

Quantas vezes quando você estava super compenetrado(a) estudando pra uma prova há horas e teve a sensação de que depois de um tempo você passou a esquecer o que já tinha estudado e antes sabia? Ou ainda quantas vezes você já ficou empacado(a) em algum ponto da gramática, uma expressão, aquela palavra que estava na ponta da língua mas não tinha jeito de lembrar? Como bem explorado no curso Aprendendo a Aprender do site Coursera, às vezes precisamos sair do modo focado de estudo para um difuso, mais relaxado para que a mágica aconteça. Thomas Edison e Salvador Dali aparentemente usavam técnicas específicas para tirar proveito das vantagens dessa troca.

Muitas vezes, quando ficamos focados por tempo demais em um problema, não conseguimos mais ter uma visão mais geral da situação. Ao ir dar uma volta ou pegar no sono, o cérebro vai continuar processando o problema, buscando uma solução mas com mais liberdade. Não é incomum que no dia seguinte, quando você sentar pra trabalhar no problema a resposta pareça a coisa mais óbvia do mundo. Na hora de estudar idiomas prefira também sessões menores e mais frequentes. Ao invés de estudar todos os dias por 1h ininterrupta, que tal estudar 4x de 15 minutos?

Essa abordagem possui algumas vantagens. Com a agenda corrida de todo mundo não fica pesado encaixar esse minutos entre atividades ou mesmo usar o tempo no transporte para tal. Ficar focado por 15 minutos também é mais fácil do que por 1h. Também favorece abordar o mesmo conteúdo em diversos formatos, pois cada vez que você estuda pode usar um material diferente. Se você estiver trabalhando algum ponto mais complexo da gramática ou do conteúdo, use o primeiro bloco de estudos para ter um primeiro contato mais geral com o assunto. Não se force a aprender ou entender tudo. No segundo quem sabe fosse bom tentar resolver algum exercicio, pois é nessa hora que as dúvidas surgem.

No período entre o primeiro contato e os exercícios seu cérebro teve tempo de tentar trabalhar a informação e fazer com que ela faça sentido. Se já haviam informações suficientes disponíveis pode ser que seja suficiente. Caso seja algo totalmente novo e sem precedentes seu cérebro pode precisar de uma mãozinha extra. Talvez assistir a um vídeo com uma explicação diferente no Youtube? Talvez tirar uma dúvida específica num grupo do Face ou outro fórum de discussão de estudantes do idioma?

 

Resumo: o que não fazer  

  • Não estude sempre no mesmo lugar.

  • Não estude sempre o mesmo material no mesmo formato

  • Não fique repetindo incessantemente a atividade (ler, exercício…)

  • Não estude tudo de uma só vez

  • Não fique focado demais

Resumo: o que fazer  

  • seja criativo(a): mude o ambiente, os sons, os materiais

  • ao estudar tente recriar o ambiente em que vai usar o idioma

  • revise usando atividades relacionadas, mas não iguais

  • revise de forma espaçada (SRS)

  • alterne entre modos focado e difuso de estudo

  • estude em sessões menores mas mais frequentes

 

E você, conhece mais algum mito ou era refém de algum desses? Eu fui refém por muito tempo dos mitos 1 e 3. O 3 está sendo o mais difícil de superar. Meu cérebro ainda tem dificuldade em entender que distrações são bem-vindas desde que elas intencionais.